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03/09/2021 15h46 - Atualizado em 03/09/2021 16h38
Quase um ano e meio depois da interrupção das atividades de ensino, escolas e faculdades de todo o país começam a retomar as aulas presenciais. Nesse primeiro momento, a expectativa é que haja a adoção do chamado ensino híbrido na Educação, estratégia na qual a aprendizagem transcorre de forma integrada em ambiente online e off-line.

  

Essa reconfiguração da oferta de ensino acontece na esteira de grandes transformações, já que durante toda a pandemia o mercado de Educação teve que se reinventar para lidar com os desafios do ensino a distância. Desafios esses que permanecem, em alguma medida, mesmo após o avanço da vacinação e relativo controle da crise sanitária.

 

Como muitos profissionais vêm vivenciando na prática, a implementação dos protocolos de retomada insere os gestores em um cenário nunca antes visto. Adaptação dos espaços físicos, novas regras de circulação nas dependências das instituições, acompanhamento de eventuais casos de contaminação, atualização sobre as melhores práticas de ensino, são apenas algumas das questões que passam a fazer parte da rotina das instituições.

 

A boa notícia é que, durante a pandemia, metodologias de ensino híbrido na Educação puderam ser planejadas e validadas por diferentes instituições e especialistas em Educação. Neste guia, falaremos, justamente, das principais abordagens nessa área e das perspectivas para a retomada das atividades de ensino presencialmente.

O que é o ensino híbrido na Educação?

 

Segundo definição de Clayton Christensen Institute, ensino híbrido é:

 

“ (....) um programa de Educação formal no qual um aluno aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino online, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo, e pelo menos em parte em uma localidade física supervisionada, fora de sua residência”.

 

Frente a essa definição, podemos atribuir as seguintes características ao modelo de ensino híbrido:

 

• Mescla estratégias de ensino off-line com estratégias digitais;

 

• Personaliza o ensino para atender a diferentes demandas de aprendizagem dos indivíduos;

 

• Coloca o aluno como protagonista do processo de aprendizagem;

 

• Ressignifica o papel do professor, que de transmissor do conhecimentos passa a ser mediador.

 

Ainda vale ressaltar que o ensino híbrido na Educação não pode ser confundido com o conceito de modelos educacionais. Quando falamos em “híbrido” isso nada mais é do que a integração do processo de aprendizagem que transcorre de forma presencial e a distância. Isto é, estamos falando do formato da aprendizagem e não dos meios empregados para isso.

 

A sala de aula invertida, o laboratório rotacional e a rotação por estações são alguns exemplos de modelos híbridos. Falaremos de todos eles nos tópicos a seguir.
 

Principais vantagens do ensino híbrido na Educação

 

O aprendizado que transcorre presencialmente é indispensável para maior parte dos processos educacionais. Lado a lado de outros estudantes, o aluno desenvolve sua sociabilidade, compartilha ideais e é confrontado com visões de mundo diferentes daquelas percebidas no ambiente familiar.

 

No entanto, as vantagens de proporcionar ao educando flexibilidade de tempo e meios para obter conhecimento também são inegáveis. Neste fato reside o grande trunfo do ensino híbrido, que propicia liberdade de aprendizado ao aluno, em contraponto as abordagens tradicionais.

 

A oferta de um ambiente virtual especialmente planejado para que o estudante desenvolva as atividades e pesquisas propostas é uma forma de conferir a ele autonomia para optar pelos recursos e ferramentas de ensino mais adequadas a seu perfil.

 

Dessa forma, quando eles estiverem em um ambiente de ensino presencial, como uma sala de aula, é esperado que as propostas educacionais dos professores sejam melhor assimiladas. Isso porque o estudante partirá de um patamar prévio de aprendizado construído de acordo com suas próprias preferências.

 

Obviamente, existe um plano pedagógico a ser seguido, mas nessa trajetória o estudante tem a liberdade de escolher se o melhor lugar para potencializar seu aprendizado é no laboratório de informática, na biblioteca do colégio, na sala de casa ou no próprio quarto, por exemplo. A grande vantagem dessa perspectiva de ensino é fazer com que o estudante consiga coordenar suas próprias tarefas diárias e aprimorar sua disciplina.

 

Há, inclusive, um consenso na comunidade acadêmica de que o ideal é termos um equilíbrio entre:
 
• personalização (mais escolhas do aluno);
• aprendizagem colaborativa (entre pares, por projetos);
• aprendizagem em tempo real (sala de aula, plataformas online, espaços profissionais);
• tutoria/mentoria (contribuição docente);
• avaliação formativa (avaliações a cada ciclo) e
• abordagem assíncrona (itinerários e atividades individualizadas).
 
Mulher auxiliando criança no ensino remoto

Principais desafios do ensino híbrido na Educação

Vejamos, então, quais são os principais desafios do ensino híbrido na Educação.

 

Tecnologia na Educação

 

O ensino híbrido surge sob a promessa de revolucionar a Educação com a ajuda da tecnologia. De fato, as expectativas são as melhores nesse sentido, porém, devemos ter cuidado com a inserção de algumas ferramentas nos processos de ensino e aprendizagem.

 

Isso porque a tecnologia, por si só, em nada contribui para a implementação do ensino híbrido. Recursos como livros digitais, plataformas de ensino e laboratórios devem ser empregados de forma contextualizada e sempre visando a adoção de boas práticas.

Comunicação e interação com os alunos

 

O ensino híbrido parte da perspectiva do aluno como foco do processo de aprendizagem. Para isso, temos metodologias ativas que envolvem um percurso metodológico que possibilita a ação via investigação, resolução de problemas e desenvolvimento de projetos.

 

Essa abordagens buscam criar situações de aprendizagem nas quais os alunos possam pensar e conceituar o que fazem, construir conhecimentos de verdade a partir dos conteúdos assimilados, bem como desenvolver a capacidade crítica, refletir sobre a realidade na qual está inserido e explorar valores pessoais.

 

Todas essas iniciativas pressupõem uma carga de autonomia significativa por parte do estudante. Frente ao ensino tradicional, no qual temos a predominância de aulas expositivas, a indução desse comportamento é um desafio. Afinal, a partir da atual configuração, a regra é termos um aluno figurando como um agente passivo em todo o processo educacional.

 

Pensando nisso, é indispensável que os professores e gestores das insituições acompanhem o desempenho dos alunos e ofereçam suporte para que todos coloquem em prática uma organização assertiva nos estudos.

Relacionamento com a família

 

Toda mudança em processos de ensino e aprendizado é cercado de expectativas. Isso se reflete, naturalmente, no comportamento das famílias.

 

Acostumados ao modelo tradicional, pais e responsáveis precisam ser educados sobre o funcionamento do ensino híbrido. Para isso, os gestores devem esclarecer as principais dúvidas de todos, tais como:
 
• Qual será a dinâmica das aulas?;
• Como funcionarão as avaliações?
• Quais as atribuições do aluno?
• Qual o papel do professor nesse processo?
• Quais ferramentas de ensino e aprendizado serão disponibilizadas para o aluno?

Principais modelos de ensino híbrido na Educação

 

Os modelos de ensino híbrido na Educação são dividos entre dois grandes grupos, que são os modelos sustentados e os modelos disruptivos. A seguir, conceituamos o que são esses grupos e suas variações.

Modelos sustentados

 

Os chamados modelos sustentados são aqueles que ainda preservam as principais características do ensino tradicional. Vejamos quais os principais tipos abarcados por essa categoria.

Sala de aula invertida

 

O aluno estuda o material da aula antecipadamente. Dessa forma, ele parte para o encontro presencial com uma base de conhecimento significativa e dúvidas para apresentar ao professor.

 

Essa é uma abordagem diferente da tradicional, pois o aluno, normalmente, parte para os estudos autônomos somente após as aulas expositivas. Já na sala invertida ele estuda sozinho primeiro para depois aplicar os conceitos e tirar dúvidas entre os colegas e com os professores.

 

No Brasil, essa metodologia é adotada por várias escolas que usam o Geekie Lab, uma plataforma que reúne conteúdo de todo o Ensino Médio e o disponibiliza em mais de 600 aulas com vídeos, textos e exercícios.

 

A plataforma, por si só, não é a principal promotora do ensino híbrido e, sim, uma espécie de facilitadora desse processo ao permitir que o aluno acesse conteúdos pertinentes as disciplinas e tenha uma visão geral sobre o objeto de estudo.

Rotação de laboratório

 

No Brasil, uma das abordagens de ensino híbrido mais conhecidas é a chamada rotação de laboratório (ou lab rotation, em inglês). A partir dessa perspectiva, temos a combinação de momentos na sala de aula e no laboratório de informática, onde conteúdos complementares são apresentados.

 

Assim, para uma disciplina, o estudante pode passar a primeira aula em um laboratório de informática usando recursos online para o primeiro contato com o tema. Na aula seguinte, com o auxílio do professor e juntamente aos demais colegas, ele pode aprofundar o que aprendeu e colocar em prática conceitos, desenvolver projetos, realizar debates sobre temas de interesse das disciplinas e realizar exercícios para a fixação das matérias.

 

Com isso, o aluno é estimulado a pensar criticamente, a trabalhar de forma coletiva e a encontrar sentido em cada conteúdo estudado. Nesse processo, ele se torna protagonista de seu próprio aprendizado ao ter a chance de identificar quais abordagens de estudo são mais adequadas para si.

 

Já o professor ganha um papel mais próximo ao de um mentor que guia esse processo de busca pelo conhecimento e, com a diminuição da carga de aulas expositivas, ele tem mais tempo para dar atenção personalizada às necessidades dos estudantes e acompanhar de maneira mais próxima a evolução deles.

Rotação por estações

 

O modelo consiste em organizar a sala por grupos denominados de estações de aprendizagem. Cada um desses grupos se dedica a temas e objetivos, mas complementares.

 

Os alunos realizam revezamentos por cada uma dessas estações durante períodos pré-determinados. Nesse processo, o professor atua como uma espécie de tutor, realizando intervenções nos grupos que mais precisam de auxílio. Essa é considerada um forma de personalizar o ensino e conferir autonomia aos alunos na construção do aprendizado. .

Modelos disruptivos

 

Os modelos disruptivos, como o próprio nome sugere, promovem um novo paradigma em relação ao modelo tradicional de ensino. Vejamos, então, quais são as principais abordagens nesse campo.

Rotação individual

 

Os percursos são voltados para as necessidades individuais dos estudantes. Em função disso, podemos dizer que, neste modelo, a personalização de fato acontece.

 

Sem dúvida alguma trata-se de uma vantagem, porém, o trabalho do corpo docente passa a ser um tanto desafiador. Isso porque o professor precisa estar atento às necessidades dos estudantes, planejando roteiros mais individualizados, para que as possíveis dificuldades sejam sanadas. Ele precisa identificar, constantemente, qual as melhores situações de aprendizagem.

 

Ao mesmo tempo, isso não significa que o professor deve estruturar um roteiro para cada aluno. Os estudantes podem ser agrupados por perfis e necessidades semelhantes, resolvendo, em parte, problema da escala.

Flex

 

Durante a pandemia este passou a ser um modelo bastante usual. O aluno tem alguns roteiros que são entregues via plataforma digital, no qual realiza as atividades propostas em parte do tempo, com o professor por perto, como um tutor, e em outros momentos pode trabalhar em projetos com outros alunos ou fazer algo mais relacionado a uma atividade física. Neste modelo, é possível intercalar ações individuais e coletivas online.

À la carte

 

É muito comum no Ensino Médio em países em que a ideia do ensino personalizado é mais difundida, como nos Estados Unidos. Neste modelo, fica a cargo do estudante a organização de seus objetivos gerais de aprendizagem.

 

As disciplinas, geralmente, são eletivas e podem ser combinadas a itinerários formativos escolhidos pelos estudantes. Nesse modelo, pelo menos uma disciplina é ofertada online, além daquelas presenciais e pode ser realizada no momento e local mais adequado para o estudante.

Virtual aprimorado

 

O aluno tem todas as disciplinas ofertadas online e vai para a escola uma ou duas vezes por semana para realizar projetos, debates e discutir o que foi estudado online. Além disso, o presencial é utilizado como acompanhamento de como estão caminhando as aprendizagens.

Como o ensino híbrido na Educação pode ser aplicado?

 

Seja qual for o modelo de ensino híbrido na Educação adotado, o professor deverá empreender grandes esforços de organização. Afinal, muitas metodologias presumem a elaboração de roteiros e itinerários de ensino diversos, além da necessidade de haver um acompanhamento detido do desempenho dos alunos.

 

Ainda deve haver por parte dos profissionais das instituições de ensino uma preocupação sobre como desenvolver com os alunos métodos de organização para que eles consigam atingir os resultados esperados e melhor assimilar os conteúdos de cada disciplina.

 

Para o ensino, uma técnica bastante disseminada é a aprendizagem baseada em problemas — o que, em inglês, é popularmente conhecido como problem based learning. Nessa técnica, o professor vai propor um desafio ou pergunta desafiadora, e os alunos terão uma aula baseada em uma pesquisa em grupo para lidar com o desafio.

 

O desafio proposto será organizado em diferentes blocos, de modo que os alunos possam melhor dimensionar o problema tratado e entender em quais pontos puderam avançar ao longo do processo. Tudo começa com os estudantes listando seus conhecimentos sobre o tema e expressando, por escrito, o problema que precisa ser solucionado.

 

Por meio de pesquisas guiadas pelo professor, os estudantes vão tentando decifrar o desafio por tentativa e erro. Algumas ações necessárias para realizar esse teste envolvem entrevistas com profissionais e especialistas, leitura de pesquisas e textos sobre o assunto, coleta de materiais, entre outros. A solução encontrada deve ser apresentada com a pesquisa e todo o processo.

Conclusões

 

A pandemia do novo coronavírus foi um evento capaz de ressignificar a forma das pessoas enxergarem o mundo e o seu papel em sociedade. Na Educação, especialmente, grandes transformações puderam ser observadas, sendo a principal delas a implementação de metodologias de ensino não tradicionais.

 

Nesse contexto, o ensino híbrido na Educação foi validado como um modelo capaz de atender os anseios de mudança de comunidades escolares em todo mundo, na medida em que oferece alternativas efetivas aos paradigmas pedagógicos vigentes.

 

Para um futuro próximo, podemos esperar pelo balanço de resultados das experiências já em curso, o que poderá servir de parâmetro para o refinamento dos modelos de ensino híbrido. Ao mesmo tempo, as ferramentas tecnológicas serão inseridas com cada vez mais êxito nos processos de ensino e aprendizado.

 

Cabe aos gestores e instituições de ensino permanecerem em constante esforço de qualificação, na tentativa de acompanhar esse movimento de grandes mudanças na área da Educação.